Criei esse breve texto respondendo algumas das principais perguntas sobre como surgiu a filosofia que são feitas na internet. Para isso usei alguns clássicos da filosofia como a edição de livro Os Pensadores e cursos introdutórios de filosofia como a Introdução à história da filosofia da Marilena Chauí. Também adicionei alguns elementos baseados na minha pesquisa e história na filosofia; como já pesquisei bastante por alguns anos sobre o tema “O que é filosofia”, tenho algumas boas referências e comentários para acrescentar.
Surgimento da Filosofia
A filosofia começa na Grécia antiga por volta de 600 anos antes de Cristo. Há quem considere lugares como a Jordânia e Egito pioneiros (até mesmo antes dos gregos), entretanto, conforme historicamente relata Nietzsche, a filosofia começou através da ideia de que tudo é “um” com Tales de Mileto.
A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está contido o pensamento: “Tudo é um”. NIETZSCHE, Friedrich. A filosofia na idade trágica dos gregos. In: Os Pré-Socráticos. Seleção de textos e tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Nova Cultural, 1999. p. 16. (Coleção Os Pensadores).
Origem da palavra Filosofia
Sobre Filósofo e Filosofia — Estes dois artigos foram completados segundo indicações de J. Lachelier, L. Robin, C. C. J. Webb, D. Parodi e R. Berthelot. Julgamos dever conservar no texto a ordem analítica dos sentidos, em vez de adotar a ordem histórica: ver-se-á a razão na primeira das observações que se seguem.
1º Histórico Sócrates qualificava a si próprio como filósofo e nele a palavra significa amigo da sabedoria, no sentido moral. A palavra é frequente em Platão, no qual o seu sentido é muito mais amplo, seja porque Platão assim a estendeu, seja porque retirou esse sentido amplo da Escola Pitagórica, conforme à tradição de Heráclides de Ponto. Xenócrates, o segundo escolarca da Academia, toma a palavra no sentido de Platão e divide a filosofia em três partes: a teoria do conhecimento (“lógica”), a filosofia natural (“física”) e a ética. Esta divisão da filosofia é adotada também por Zenão, contemporâneo de Xenócrates, e, na esteira de Zenão, por toda a escola estoica. (LALANDE, 1999, p. 407-408).
As explicações mitológicas e os mitos
As explicações mitológicas na antiguidade ocidental surgiram como uma forma de entender e exaltar a vida por meio dos mitos. Muitas coisas, inclusive os astros e a vida, eram explicadas através de histórias que foram compostas por uma grande variedade de deuses que possuíam a maioria das forças encontradas na natureza. O mito é, também, uma história que narra a vida.
Fortalecimento e expansão da Filosofia
A filosofia se intensificou e se espalhou na medida em que seus mestres faziam seguidores. Na antiguidade, essa tradição de ensinamento que se passa adiante em gerações foi crucial para o fortalecimento e expansão da filosofia; um exemplo nítido disso é Platão, que teve como mestre Sócrates e que posteriormente foi mestre de Aristóteles.
Condições Históricas para o Surgimento da Filosofia
1. O comércio, as navegações e a diversidade cultural
2. O surgimento da escrita alfabética
3. O surgimento da moeda
4. A invenção do calendário
5. O surgimento da vida pública (a política)
6. O surgimento de um pensamento crítico
Os Primeiros Filósofos
Os primeiros filósofos eram conhecidos como filósofos da natureza ou até mesmo físicos (pré-socráticos). Eles tinham essa fama porque utilizaram elementos da natureza como o fogo e água para explicar a origem de tudo (arché). São conhecidos como pré-socráticos pois são antecessores de Sócrates. Veja um pouco sobre como eram:
“A amplitude do pensamento pré-socrático mostra que os primeiros filósofos não eram meramente físicos (embora certamente fossem isso). Seus interesses estendiam-se ao pensamento religioso e ético, à natureza da percepção e do entendimento, à matemática, à meteorologia, à natureza da explicação e aos papéis da matéria, da forma, dos mecanismos causais e da estrutura no mundo. Quase todos os pré-socráticos pareciam ter algo a dizer sobre embriologia, e fragmentos de Diógenes e Empédocles mostram um interesse agudo pelas estruturas do corpo; a sobreposição entre a filosofia antiga e a medicina antiga é de crescente interesse para os estudiosos do pensamento grego inicial (Longrigg 1963, van der Eijk 2008). Descobertas recentes, como o Papiro de Derveni, mostram que o interesse e o conhecimento sobre os primeiros filósofos não estavam necessariamente limitados a um pequeno público de intelectuais racionalistas. Eles transmitiram muitas das que mais tarde se tornaram as preocupações básicas da filosofia a Platão e Aristóteles e, em última análise, a toda a tradição do pensamento filosófico ocidental.” (CURD, 2024).
Sócrates
Sócrates fez grandes contribuições para a filosofia e provavelmente foi um dos últimos filósofos que não deixou nada escrito. Além de ter sido condenado pela cidade a beber veneno por corromper a juventude, Sócrates também foi conhecido por ter sido nomeado pelo oráculo de Delfos como o homem mais sábio da Grécia. Sua frase mais icônica diz que sobre aquilo que ele não sabe, ele não pensa saber.
Platão
Platão foi o primeiro filósofo que teve sua obra escrita preservada em larga escala. Ele tratou de muitos assuntos, desde política até o amor, seus textos ficaram marcados pelos diálogos que tinham como personagem central Sócrates. Uma de suas contribuições mais icônicas é o mito da caverna, história que acontece em uma prisão no fundo de uma caverna onde homens passam a vida acorrentados acreditando nas sombras.

Aristóteles
Aristóteles foi um filósofo que ficou conhecido por ter uma abordagem mais científica, inclusive muitos consideram ele o pai da ciência. Com contribuições robustas para o pensamento ocidental, ele se destacou por ser o primeiro a sistematizar o que posteriormente seria chamado de metafísica.
O que a filosofia estuda?
A filosofia estuda, primariamente, o tudo e o todo. Como ela visa contemplar a totalidade das coisas em busca da sabedoria e do conhecimento, ela não tem um estudo direcionado a um único objeto como a natureza, física ou até mesmo a política. Por esses motivos, é difícil de explicar exatamente o que filosofia estuda. Há filósofos que se dedicam a investigar os fundamentos da matemática, das artes, isso só demonstra a natureza ampla da filosofia.
Qual é o objeto de estudo da filosofia?
Ela é a busca constante pela verdade, poderíamos arriscar dizer que o mais próximo de um objeto que a filosofia pode ter, além do todo, é a verdade. Sendo mais filosófico, uma definição lógica poderia enxergar o objeto de estudo da filosofia como a procura de respostas para questões paradoxais (questões que não possuem respostas como a morte, vida, amor e beleza). Para finalizar, questiono: o que não é estudo da filosofia? Existe algo que possa escapar de nossos questionamentos?
Quais são os principais pensadores da filosofia?
Os principais pensadores da filosofia são
- Tales de Mileto
- Parmênides
- Sócrates
- Platão
- Aristóteles
- Santo Agostinho
- Descartes
- Hume
- Espinoza
- Locke
- Kant
- Hegel
- Nietzsche
- Heidegger
Períodos filosóficos e principais filósofos
Filosofia antiga
Iniciada em Tales de Mileto, essa era perdurou até Aristóteles e teve grandes nomes como Platão, Sócrates, Pitágoras, Parmênides entre muitos outros.
Filosofia medieval
A filosofia medieval é um período fascinante da história do pensamento humano, que se estende aproximadamente do século V ao século XV. Este período é marcado por uma tentativa de reconciliar a fé cristã com a razão e o conhecimento herdado dos antigos, especialmente dos filósofos gregos como Platão e Aristóteles. O maior pensador desse período certamente é Santo Agostinho, amplamente conhecido por buscar provas teológicas da existência de Deus. Outros nomes como Santo Tomás de Aquino e Boécio são frequentemente citados.

Filosofia moderna
A Filosofia Moderna, que abrange o período aproximado do século XVII ao século XIX, marca uma transição significativa do pensamento medieval, profundamente enraizado em contextos religiosos, para uma abordagem mais secular e centrada no indivíduo. Essa era é caracterizada por um questionamento intenso sobre conhecimento, ética, governo e a natureza humana, impulsionado por desenvolvimentos científicos revolucionários e por mudanças profundas na sociedade. Alguns dos principais pensadores dessa época são Descartes, Hume, Espinosa e Kant.
Filosofia contemporânea
A filosofia contemporânea, que se estende aproximadamente do final do século XIX até os dias atuais, é marcada por uma diversidade de movimentos e pensadores que buscaram responder às mudanças sociais, científicas e políticas de seu tempo. Diferentemente das eras anteriores, que podiam ser dominadas por um ou dois estilos filosóficos predominantes, a contemporaneidade é caracterizada por uma pluralidade de abordagens e críticas. Alguns pensadores frequentemente citados são Nietzsche, Deleuze, Heidegger, Sartre, Foucault, Habermas…
As pessoas também perguntam
Quando a filosofia surgiu e com quem?
A filosofia surgiu aproximadamente no século VI a.C. na Grécia Antiga. O primeiro filósofo frequentemente citado é Tales de Mileto, que buscava explicações naturais para os fenômenos do mundo, em vez de recorrer a mitos ou intervenções divinas.
Qual é o objeto de estudo da filosofia?
O objeto de estudo da filosofia é vasto e abrange questões existenciais, éticas, políticas, lógicas, epistemológicas, entre outras. A filosofia busca entender a essência da realidade, a natureza do conhecimento, os fundamentos da moralidade, a estrutura da lógica e da linguagem, e o sentido da vida humana.
Como o mundo era explicado antes do surgimento da filosofia?
Antes do surgimento da filosofia, o mundo era frequentemente explicado através de mitos e religião. Essas narrativas míticas forneciam explicações sobrenaturais para os fenômenos naturais, os acontecimentos sociais e a existência humana, atribuindo-os à ação de deuses e forças sobrenaturais.
Para que serve a filosofia?
A filosofia serve para questionar, refletir e compreender a realidade em suas diversas dimensões. Ela nos ajuda a pensar criticamente, a examinar nossas crenças e valores, a entender melhor os fundamentos do conhecimento, da moral, da política e da arte, e a buscar sentido e propósito na vida.
O que a Filosofia defende?
A filosofia não defende uma única visão ou conjunto de crenças; ao contrário, ela engloba uma diversidade de pensamentos, argumentos e debates sobre as mais variadas questões. Em sua essência, defende o uso da razão, o questionamento crítico, o diálogo aberto e a busca por compreensão profunda e fundamentada.
O que levou o homem a filosofar?
O homem foi levado a filosofar pela necessidade de compreender o mundo ao seu redor, buscar respostas para questões fundamentais da existência, questionar as tradições e os mitos aceitos, e encontrar um sentido mais profundo para a vida e a realidade. A curiosidade, o espanto e o desejo de conhecimento são motores fundamentais do pensamento filosófico.
Qual é o nome do primeiro filósofo?
O nome do primeiro filósofo frequentemente citado é Tales de Mileto, um dos pré-socráticos da Grécia Antiga, reconhecido por buscar explicações naturais e racionais para os fenômenos do mundo, inaugurando assim a tradição filosófica ocidental.
Referências bibliográficas
OS PRÉ-SOCRÁTICOS: fragmentos, doxografia e biografia. Seleção de textos e notas de José Cavalcante de Souza. Tradução de José Cavalcante de Souza et al. São Paulo: Abril Cultural, 1974. (Os Pensadores, v. 1).
NIETZSCHE, Friedrich. Crepúsculo dos ídolos. Tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho. In: NIETZSCHE, Friedrich. Obras incompletas. São Paulo: Abril Cultural, 1974. (Os Pensadores, v. 32).
CURD, Patricia. Presocratic Philosophy. In: ZALTA, Edward N.; NODELMAN, Uri (eds.). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. Stanford: Stanford University, 2024. Disponível em:https://plato.stanford.edu/entries/presocratics/. Acesso em: 25 maio 2026.
LALANDE, André. Vocabulário técnico e crítico da filosofia. Tradução de Fátima Sá Correia et al. São Paulo: Martins Fontes, 1999.




